O módulo IV da formação dos Novos Programas de Português, decorreu nos dias 27 e 28 de Maio de 2010, tendo sido abordados o GIP da Escrita e a prática de sequências didácticas.
“Escrever não é difícil, difícil é corrigir”, “Aproximar as emoções daquilo que se escreve”, foram duas frases que me ficaram da entrevista de Lobo Antunes. De alguma forma vejo nelas as dificuldades dos nossos alunos. Por um lado escrever é uma tarefa difícil de que os alunos normalmente não gostam, por outro escrever não reflecte as emoções. Quando colocados perante uma folha de papel vazia têm dificuldade em começar. Quando o fazem estão mais preocupados com a forma do que com o conteúdo, e quando terminam, já está, nada mais há a fazer. Este cenário coloca-se porque ao longo dos anos fomos acreditando que mais cedo ou mais tarde os alunos acabariam por aprender a escrever sem que tivéssemos o cuidado de fazer um trabalho explícito nesse sentido. A minha grande preocupação sempre foi o produto, embora seguisse as várias fases da escrita, nunca avaliei o processo.
Para que os alunos se sintam verdadeiramente implicados na árdua tarefa da escrita teremos que saber motivar, propor experiencias de aprendizagem concretas, bem planificadas em que os alunos se sintam implicados e com propósitos muito claros. Escrever para quê? Para quem? Com que finalidade? Devemos proporcionar actividades que permitam a escrita por prazer sem que tenham que estar “amarrados” a modelos ou na mira da “caça ao erro”. Só assim seremos capazes de nos aproximarmos dos resultados esperados.
Começar pelo trabalho colectivo de escrita parece-me um bom ponto de partida. Por um lado permite aos alunos o confronto de opiniões, mostrar que a sua opinião conta, fazê-los tomar consciência das suas potencialidades, mas também das suas dificuldades. Promover a construção conjunta do texto, sendo o professor um mediador e interlocutor, ao invés de ser um “juiz”. O aperfeiçoamento do texto em grande grupo, permitindo a cooperação de todos ajudará cada um a tomar consciência das suas dificuldades e a melhorar o seu desempenho pois assim foi um elemento activo – aprendeu fazendo. Promover a publicação dos textos produzidos, através do jornal da escola, de um blogue ou de qualquer outro suporte (porque não um livro) permitirá colocar o aluno-escritor perante leitores reais em contexto real.
Quanto às sequências didácticas, confesso que, quando ainda em casa, fiz uma leitura “muito na diagonal”do exemplo apresentado, este me pareceu muito bem. Só no debate com os colegas, numa leitura mais atenta e com base no que já sabíamos sobre esta temática, foi possível verificar que afinal não estava assim tão bem, muito pelo contrário. Foi possível identificar erros, apresentar sugestões, mas demorou o seu tempo.
E é em relação ao tempo necessário para fazer as sequências que reside a minha angústia. Compreendo os fundamentos teóricos das sequências, penso até ser capaz de, sozinho, elaborar uma sequência didáctica, contudo será no terreno que os problemas irão surgir. Preocupa-me ainda o facto de nem todos os alunos concluírem com sucesso a sequência planeada e a dada altura ter que elaborar sequências para vários grupos dentro da sala.
Compreendo a necessidade de fazer a avaliação processual ao longo das etapas bem como a avaliação sumativa no final da sequência que permite identificar claramente o que os alunos sabem e assim ser o ponto de partida para uma nova sequência, mas se a turma começar a “partir-se” em vários grupos, temo que possa cair na tentação de voltar àquilo que aparentemente ainda me é mais confortável, pelo menos com aqueles que se distanciarem dos resultados esperados.Para finalizar, queria deixar um agradecimento aos formadores pelo trabalho realizado.
“Escrever não é difícil, difícil é corrigir”, “Aproximar as emoções daquilo que se escreve”, foram duas frases que me ficaram da entrevista de Lobo Antunes. De alguma forma vejo nelas as dificuldades dos nossos alunos. Por um lado escrever é uma tarefa difícil de que os alunos normalmente não gostam, por outro escrever não reflecte as emoções. Quando colocados perante uma folha de papel vazia têm dificuldade em começar. Quando o fazem estão mais preocupados com a forma do que com o conteúdo, e quando terminam, já está, nada mais há a fazer. Este cenário coloca-se porque ao longo dos anos fomos acreditando que mais cedo ou mais tarde os alunos acabariam por aprender a escrever sem que tivéssemos o cuidado de fazer um trabalho explícito nesse sentido. A minha grande preocupação sempre foi o produto, embora seguisse as várias fases da escrita, nunca avaliei o processo.
Para que os alunos se sintam verdadeiramente implicados na árdua tarefa da escrita teremos que saber motivar, propor experiencias de aprendizagem concretas, bem planificadas em que os alunos se sintam implicados e com propósitos muito claros. Escrever para quê? Para quem? Com que finalidade? Devemos proporcionar actividades que permitam a escrita por prazer sem que tenham que estar “amarrados” a modelos ou na mira da “caça ao erro”. Só assim seremos capazes de nos aproximarmos dos resultados esperados.
Começar pelo trabalho colectivo de escrita parece-me um bom ponto de partida. Por um lado permite aos alunos o confronto de opiniões, mostrar que a sua opinião conta, fazê-los tomar consciência das suas potencialidades, mas também das suas dificuldades. Promover a construção conjunta do texto, sendo o professor um mediador e interlocutor, ao invés de ser um “juiz”. O aperfeiçoamento do texto em grande grupo, permitindo a cooperação de todos ajudará cada um a tomar consciência das suas dificuldades e a melhorar o seu desempenho pois assim foi um elemento activo – aprendeu fazendo. Promover a publicação dos textos produzidos, através do jornal da escola, de um blogue ou de qualquer outro suporte (porque não um livro) permitirá colocar o aluno-escritor perante leitores reais em contexto real.
Quanto às sequências didácticas, confesso que, quando ainda em casa, fiz uma leitura “muito na diagonal”do exemplo apresentado, este me pareceu muito bem. Só no debate com os colegas, numa leitura mais atenta e com base no que já sabíamos sobre esta temática, foi possível verificar que afinal não estava assim tão bem, muito pelo contrário. Foi possível identificar erros, apresentar sugestões, mas demorou o seu tempo.
E é em relação ao tempo necessário para fazer as sequências que reside a minha angústia. Compreendo os fundamentos teóricos das sequências, penso até ser capaz de, sozinho, elaborar uma sequência didáctica, contudo será no terreno que os problemas irão surgir. Preocupa-me ainda o facto de nem todos os alunos concluírem com sucesso a sequência planeada e a dada altura ter que elaborar sequências para vários grupos dentro da sala.
Compreendo a necessidade de fazer a avaliação processual ao longo das etapas bem como a avaliação sumativa no final da sequência que permite identificar claramente o que os alunos sabem e assim ser o ponto de partida para uma nova sequência, mas se a turma começar a “partir-se” em vários grupos, temo que possa cair na tentação de voltar àquilo que aparentemente ainda me é mais confortável, pelo menos com aqueles que se distanciarem dos resultados esperados.Para finalizar, queria deixar um agradecimento aos formadores pelo trabalho realizado.